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ELEIÇÃO E PANDEMIA: Corrida eleitoral começa com grande apelo virtual

ELEIÇÃO E PANDEMIA: Corrida eleitoral começa com grande apelo virtual Featured

Cuidado com candidatos que há 4 anos prometeram e não cumpriram e também com aqueles que "se dizem honestos" a todo momento. Na cidade de Osasco, sete candidatos tentarão a cadeira de prefeito. Analise antes e não perca seu voto! Aqui, fazemos uma análise da atual conjuntura político/eleitoral do Brasil, da  campanha virtual e da Operação Caça Fantasmas em Osasco. 
 
 
Por Renato Ferreira - 
 
Teve início neste domingo, 27/09, a corrida eleitoral para as eleições municipais, quando os brasileiros vão eleger os novos prefeitos e vereadores. E, com certeza, é uma das maiores campanhas do planeta e uma corrida maluca atrás de um cargo público eleito pelo povo. O primeiro turno ocorrerá no dia 15 de novembro e, no dia 29 de novembro, será realizado o segundo turno nos municípios com mais de 200 mil eleitores e onde não houve maioria absoluta para a eleição de prefeito no dia 15.
Infelizmente, no Brasil, para muitos políticos desonestos, já faz algumas décadas que a política se transformou numa carreira profissional de fácil acesso para o enriquecimento ilícito. Basta ver o número de pedidos para registro de candidatura recebidos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até a manhã de sábado 26/09 último dia para o registro. Até aquele momento, o TSE havia recebido 517.786 solicitações de candidatos para concorrer nas eleições municipais de 2020.
 
Os números constam no site da Corte, que, pelo calendário eleitoral, iria ficar aberto para registrar as candidaturas até as 19h de sábado. Ou seja, com certeza, o número aumentou. Desse total, de 517.786 pedidos, 18.416, (3.83%) concorrem ao cargo de prefeito e um número semelhante para vice-prefeito. Enquanto que 480.934 buscam uma vaga de vereador nos 5.570 municípios do país. E para se ter uma ideia de como essa corrida aumenta a cada eleição, nas eleições de 2016, a Justiça Eleitoral recebeu um número bem menor de pedidos de registro para os mesmos cargos. O número naquele ano foi de 496.927.
 
Até um pouco mais da metade do século XX, por exemplo, o cargo de vereador não era remunerado no Brasil e não havia, claro, essa corrida maluca, quando as pessoas brigam, investem recursos próprios, fazem empréstimos ou até vendem bens da família para tentar uma cadeira de vereador. Alguns chegam a ficar deprimidos e outros tentam até mesmo o suicídio quando não conseguem o objetivo e, além disso, contraem dívidas. Certamente, se não houvesse essa remuneração de políticos muito acima do salário mínimo, além da facilidade da corrupção e do enriquecimento ilícito, não haveria essa loucura para se eleger e a política ficaria mais para os que têm vocação e para os mais honestos.
 
Honestidade não é virtude
 
E quando a gente fala de honestidade, não queremos dizer que não existem pessoas honestas na política. Claro que existem, mas, como a Justiça no Brasil é lenta e quase inexiste no campo político, essa morosidade gera a sensação de impunidade e se torna um campo fértil para aqueles que apostam nessa lentidão e na "certeza" de que passarão impunes.
 
As coisas estão mudando no Brasil, mas, ainda de forma muito lenta. E essas mudanças começaram aparecer com a atuação firme do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, que levou para cadeia diversos figurões do meio empresarial e da política no caso do Mensalão e, depois, com a Operação Lava Jato, que desmontou o esquema de corrupção na Petrobras, levando também outros tantos de empresários e políticos para a cadeia, inclusive, um ex-presidente da República: Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
 
Com o advento da Internet e das redes sociais, as falcatruas no meio político continuam, mas, não com tanta facilidade e praticadas sob os porões dos palácios, como acontecia anos atrás. Hoje, as fraudes são descobertas com mais rapidez, o que proporciona que as investigações ocorram com mais transparência, dificultando também as manobras no meio jurídico.
 
Ainda falando de honestidade, enfatizamos que ser honesto não é virtude de ninguém e, sim, uma obrigação de todos, principalmente, de quem resolve entrar na política para ser representante do povo, para administrar bens públicos e ser pago para isso. Então, eleitor brasileiro, desconfie de quem a todo momento fica falando e repetindo que "é honesto" e afirmando que todos os seus adversários "são desonestos".
 
Lula e Demóstenes
 
E sobre essa questão de se auto denominar honesto, lembramos de dois políticos brasileiros, um bastante conhecido, considerado até como ídolo para muitos, e outro nem tanto. O mais desconhecido, apesar de ter sido senador, é Demóstenes Torres, eleito senador pelo DEM, de Goiás. Confesso que cheguei acreditar nesse político e até a gostar de ouvir suas explanações na tribuna do Senado. Como pertencia ao DEM, o promotor público Demóstenes, além de tentar "mostrar" toda a sua honestidade nos discursos, descia a lenha no PT. Até que foi desmascarado. Ficou provado que o "honesto" Demóstenes era tão corrupto quanto a quem ele criticava e recebia até fogão e geladeira de presentes como propinas. Foi julgado, teve o mandado cassado e nunca mais voltou ao cenário político.
 
O outro político, que sempre gosta também de falar de sua "honestidade" é o conhecido e endeusado ex-presidente da República, Lula do PT. Este, já disse inclusive, que "é a alma mais honesta do planeta Terra". Mas, a realidade é outra. Lula já foi condenado em vários processos das Lava Jato por corrupção e lavagem de dinheiro e só está em liberdade, graças às ações de ministros indicados por ele ao STF, como Dias Toffoli, Lewandowksi e também Gilmar Mendes, o rei do hábeas corpus do Supremo, indicado por FHC. Hoje, curiosamente, DEM e PT andam bem próximos. Os atuais dirigentes do DEM já chegaram, inclusive, a afirmar que podem fazer alianças com o PT e partidos de esquerda para tirar o Presidente Bolsonaro.
 
Corrida em Osasco
 
Na cidade de Osasco, região Oeste da Grande São Paulo, essa corrida maluca para um cargo na Câmara Municipal não é diferente. Segundo PIB do Estado e o sexto do país, Osasco é um bom exemplo de como a política para alguns é apenas um meio de melhorar de vida. Apesar de sua riqueza, Osasco, com os seus quase 800 mil habitantes, é uma cidade que apresenta grandes desigualdades sociais, além de problemas sérios na segurança, na mobilidade urbana, educação e, principalmente, na área da Saúde, onde há até denúncias de fraudes na pandemia investigadas pelo MPF e Polícia Federal.
 
Essa análise que faço sobre Osasco, serve para você também eleitor de qualquer cidade brasileira, porque, com certeza, se você parar, analisar e conversar com alguém durante esta campanha, você vai lembrar de como foram esses últimos quatro anos, desde 2016, quando você votou para eleger o atual prefeito e os atuais vereadores de sua cidade. E serve tanto para candidatos a prefeito, como para candidatos a vereador.
Com certeza, a maioria das centenas de candidatos a vereador em Osasco, nem sabe na verdade os reais motivos dos problemas da cidade e, muito menos, como buscar as soluções. A maioria, querendo ou não admitir, entra na corrida sabendo que não tem as mínimas chances de se eleger e entram para serem apenas cabos eleitorais de luxo e para buscar votos para os seus candidatos a prefeito.
 
Operação Caça Fantasmas
 
E como ocorre em outras cidades do país, Osasco traz para esta campanha de 2020, um caso de escândalo político que já se arrasta desde 2015, quando o Ministério Público Estadual iniciou uma investigação para apurar denúncias de contratação de funcionários fantasmas na Câmara Municipal. Conforme apuração do MPE, 14 vereadores daquela legislatura, incluindo, o atual prefeito Rogério Lins (Podemos), foram denunciados no esquema que desviou cerca de R$ 21 milhões dos cofres públicos.
 
Na eleição de 2016, mesmo acusados, alguns vereadores concorreram à reeleição, enquanto Lins concorreu ao cargo de prefeito, disputando o segundo turno contra o então, prefeito Jorge Lapas (PDT). Já eleitos, em dezembro de 2016, em mais uma fase da investigação, todos os envolvidos foram presos e levados ao presídio de Tremembé, interior de São Paulo. Rogério Lins, que estava em viagem aos Estados Unidos com a família, foi detido assim que retornou ao Brasil. Nesta eleição, curiosamente, Lins e Lapas estão juntos, numa patética aliança entre Podemos e PDT. Certamente, esqueceram da campanha com acusações mútuas até baixa que fizeram em 2016.
 
Todos os envolvidos na Operação Caça Fantasmas pagaram fiança de R$ 300 mil para responder o processo em liberdade. Agora, entre 2019 e 2020, na fase de condenações, quatro vereadores já foram condenados e um absolvido no inquérito na Vara Cível. Mesmo assim, eles podem concorrer às eleições. Há também o inquérito na Vara Criminal. Por ser prefeito, o processo de Rogério Lins tramita no Tribunal Regional de Justiça.
 
Portanto, você eleitor de todo Brasil e, sobretudo, de Osasco, que a partir de hoje será bombardeado por uma forte campanha virtual, e também com reuniões presenciais. Tente evitar ser contaminado pela Covid-19 e ser enganado por quem já prometeu há 4 anos e não cumpriu, e também por novatos que apoiam candidatos que respondem e já foram até presos por corrupção.
 
Tente conhecer melhor a história política e policial dos candidatos que buscam o seu voto. Os que forem eleitos são, como eles próprios gostam de afirmar, funcionários da população e serão eleitos para trabalhar honestamente em seus cargos públicos. Não para se enriquecer ilicitamente e passar das páginas políticas para as páginas policiais.(Renato Ferreira)
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    Dividido, o PSDB osasquense sofreu intervenção estadual e acabou por oficializar apoio à reeleição de Rogério Lins. No início de outubro, o partido soltou uma nota, mas, sem nenhuma explicação oficial, que estaria deixando a aliança com o Podemos de Lins. Porém, oficiosamente, candidatos tucanos continuam apoiando o atual Prefeito em suas campanhas.
     
    Ou seja, sem candidaturas próprias, PSDB e DEM de Osasco se enfraquecem ainda mais nas eleições de 2020. E, se faz tempo que o DEM local se transformou num partido de gaveta, pelo lado dos tucanos, se não aparecer logo uma liderança forte que possa unir o partido como nos tempos de Celso Giglio, o PSDB de Osasco dificilmente voltará a ser uma legenda forte, que até há poucos anos era o mais ferrenho adversário do PT de João Paulo Cunha e de Emídio de Souza.
     
    É possível que essas novas lideranças políticas de Osasco, que possam aparecer para protagonizar com o PT, estejam em novas legendas como o Podemos e o Republicanos,
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    É incrível como os políticos brasileiros apostam mesmo na memória curta do povo para mentir e enganar seus eleitores. Os prefeitos passam quatro sem fazer, praticamente, nada. Muitos, inclusive, só passam reclamando dos antecessores. Mas, quando chega o período eleitoral, é incrível o número de obras que eles encontram para fazer, na tentativa de enganar o povão e ficar mais quatro anos no poder.
     
    São inaugurações que vão de pintura de vielas a instalação de semáforos, passando por reformas de escolas e posto de saúde. Mas, um tipo de obras que esse tipo de prefeito gosta mesmo de mostrar, mesmo a poucos dias das eleições, é asfalto novo ou recapeamento de ruas.
     
    E esse tipo de administração com obras públicas por todo canto, pode ser observado na cidade de Osasco, administrada por Rogério Lins (Podemos). Só que além de atrapalhar o trânsito e a mobilidade urbana, uma vez que eles querem é mostrar serviço, no caso de asfalto, pelo que a gente ouve nas ruas, essas obras podem significar um tiro no próprio pé do administrador.
     
    Ao lado de alguns elogios, o que se ouve mais são reclamações, porque os administradores para mostrar que estão "asfaltando" a cidade, escolhem uma ou duas ruas de um bairro, porém, esquecem as demais. Assim, se os moradores da rua asfaltada ficam contentes, o asfalto eleitoreiro acaba desapontando os moradores das ruas preteridas pelo prefeito.
     
    Esgoto a céu aberto em Osasco
     
    Outro problema que também persiste nas grandes cidades do país, como em Osasco, o segundo PIB do estado de São Paulo e o sexto do país, são os esgotos a céu aberto. Como são problemas da periferia, eles ficam apenas nas promessas de campanha. Apesar de ser uma das cidades mais ricas do país, Osasco está entre os piores municípios em termos de saneamento básico do Brasil, conforme estudo realizado pelo Instituto Trata Brasil e divulgado em dezembro de 2019. (Renato Ferreira)

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