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Azeredo se entrega à Polícia e vai cumprir pena pelo mensalão tucano

Azeredo se entrega à Polícia e vai cumprir pena pelo mensalão tucano Featured

O ex-governador de Minas é o primeiro político preso por crimes cometidos no mensalão tucano
 
 
Depois de ser condenado em segunda instância e ter seu último recurso negado pela Justiça mineira, o ex-governador de Minas Gerais, Eduardo Azeredo (PSDB) se entregou à Polícia Civil do Estado na tarde desta quarta-feira, 23. Por determinação da Justiça, ele não vai para uma prisão comum. O tucano, passa a ser o primeiro político preso pelo mensalão tucano, conseguiu na Justiça o direito de ficar preso em unidade da Polícia Militar de Minas Gerais sem a necessidade da utilização de uniforme do sistema prisional do Estado. A decisão é do juiz Luiz Carlos Rezende e Santos, da Vara de Execuções Penais de Belo Horizonte. A Justiça ainda proibiu o uso de algemas.
Azeredo foi considerado foragido na manhã de quarta-feira, 23. Os defensores do ex-governador e a Polícia Civil negociavam desde a noite da terça-feira as condições para ele se apresentar após o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) negar o último recurso cabível na condenação do tucano a 20 anos e um mês de prisão no mensalão mineiro.
No despacho, o juiz da Vara de Execuções Penais afirmou que “a situação é inédita, nunca vista anteriormente em Minas Gerais, ou seja, a prisão de um ex-chefe de Estado. Além de ex-governador, o sentenciado possui vasta participação na vida política nacional por força de democrática escolha popular, sendo inegável o respeito que se deve dispensar a esta vontade, outrora exercida, e por isto mesmo há regramento próprio de proteção a pessoas que desempenharam funções relevantes na República”.
Ainda segundo a decisão, Azeredo tem status de ex-chefe de Estado e, por isso, pode ser colocado em uma prisão diferente. “O ex-governador reclama segurança individualizada, bem como tem prerrogativa de manter-se em unidade especial como a Sala de Estado Maior, que deverá estar instalada no Comando de Batalhão Militar”.
“É fato notório que as unidades penitenciárias mineiras passam por problemas de toda sorte, sendo que na região metropolitana, as masculinas encontram-se com centenas de pessoas (e em alguns casos milhares) em cumprimento de pena”, diz o magistrado.
O juiz determinou ainda que a chefia do Batalhão disponibilize agentes carcerários para apoiar e atender Azeredo, além de cadastrar a família de Azeredo para visitas. A decisão livra ainda o ex-governador do uso de uniformes prisionais e proíbe o uso de algemas. (Texto extraído do jornal Estado de Minas)
Opinião do jornalista Renato Ferreira
 
O mensalão tucano, de 1998, foi o precursor do mensalão petista, que veio à tona em 2005, durante o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os dois esquemas de corrupção se caraterizavam pela compra de parlamentares por parte do Poder Executivo para votarem de acordo com o Governo.
 
E o personagem principal que ligam os dois esquemas é o publicitário Marcos Valério, o "Carequinha de Belo Horizonte". Ele foi o operador tanto do mensalão tucano, como do mensalão petistas. Marcos Valério cumpre pena de mais 40 anos de reclusão. Logo após a posse de Lula, em 2003, Marcos Valério foi apresentado ao então, ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, por parlamentares petistas de Minas Gerais.
 
Assim, o mensalão tucano, que se restringia ao governador do Estado, Eduardo Azeredo, que fazia campanha para a reeleição, e à Assembleia Legislativa de Minas, tomou dimensões nacionais, envolvendo o Governo de Lula e o Congresso Nacional. Por meio de Marcos Valério, o mensalão petista já começava também a fincar seus tentáculos em vários Estados e Municípios brasileiros, até que em 2005, durante uma entrevista à Folha de S.Paulo, o ex-deputado Federal Roberto Jefferson (PTB-RJ), denunciou o esquema que foi investigado pelo Ministério Público e Polícia Federal e julgado pelo STF (Supremo Tribunal Federal). O relator no STF foi o ex-ministro Joaquim Barbosa.
 
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