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Segundo o Datafolha, maioria avalia que prisão de Lula foi justa

Segundo o Datafolha, maioria avalia que prisão de Lula foi justa Featured

Para 62% dos entrevistados, Lula não deve disputar as eleições deste ano. Em janeiro, esse número era de 43%
 
Conforme matéria da revista Veja, Lula cai nas pesquisas e a maioria não acredita que o petista vá disputar as eleiçõe deste ano. Os que responderam que Lula vai disputar ‘com certeza’ as eleições caiu de 32% para 18% de janeiro para abril. Os dados são da pesquisa Datafolha divulgada neste domingo, 15/04, pelo jornal Folha de S.Paulo.
O levantamento mostra que 54% dos entrevistados consideram que a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi justa. O petista começou a cumprir pena de 12 anos e um mês de prisão pelo caso do tríplex do Guarujá no sábado passado, na sede da Polícia Federal, em Curitiba (PR).
Outros 40% consideram que a prisão do petista foi injusta, enquanto 6% preferiram não opinar.
Na pesquisa foi perguntado também se Lula vai disputar as eleições deste ano. O porcentual dos que dizem que não vai disputar subiu de 43% para 62% entre janeiro e o último levantamento, realizado nesta semana.
A nova pesquisa do Datafolha foi feita entre quarta (11) e sexta-feira (13) com 4.194 pessoas de 227 municípios. A margem de erro é de dois pontos porcentuais para mais ou para menos.
Os que responderam que Lula vai disputar ‘com certeza’ passou de 32% para 18% no mesmo período. Os que responderam ‘talvez’ caiu de 20% para 16%.
Por enquanto, a direção do PT o discurso de que registrará a candidatura de Lula, apesar da prisão do petista. Caberá à Justiça Eleitoral deferir ou não o registro da candidatura do ex-presidente. (Veja)
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    Parabéns, sim, Lula!


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    Considero a profissão de Jornalista uma das mais belas do mundo e uma das quais o profissional tem por obrigação atuar com responsabilidade e ética, mesmo que isso possa-lhe trazer prejuízos financeiros.

    Ao longo de quase quarenta anos de profissão, esse tem sido o meu norte: exercer o jornalismo buscando sempre a verdade dos fatos. Sem dúvida, é uma linha tênue entre a imparcialidade e e parcialidade, mas, se o jornalista deprezar a verdade, com certeza, ele perde a principal arma da profissão: a credibilidade.

    E o jornalismo é belo também porque ele dá ao profissional de comunicação, a meu ver, mais do que em qualquer outra profissão, uma liberdade ampla e irrestrita para o exercício de suas funções. Liberdade esta que o jornalista tem para noticiar, investigar, opinar, criticar e elogiar sempre dentro do princípio da honestidade e da ética.

    Não tinha a intenção de publicar esse artigo sobre o Lula, de 1989, agora. Ele faz parte de uma coletânia de notícias, artigos, opiniões e crônicas que pretendo publicar brevemente em um livro, contando essa minha trajetória de quase quatro décadas observando e escrevendo sobre o nosso tão querido Brasil, porém, também de tantas contradições, sobretudo, políticas e sociais.

    Mas, diante da atual conjuntura do país, com tantas investigações sobre corrupção e prisões de grandes lideranças políticas e empresariais, como o próprio Lula, resolvi pinçar e publicar esse artigo, comparando-o com a realidades de hoje.

    Trata-se de uma defesa do Lula feita há 30 anos, quando ele era a esperança de um povo e arrastava multidões por onde passava. Ao contrário de hoje, quando seus aliados promovem atos em defesa dele, mas, agora, de um políico preso condenado pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

    Inclusive, neste sábado, 19 de maio, a cúpula petista estará reunida na cidade de Osasco, região Oeste da Grande São Paulo, para participar de mais um ato em defesa do Lula https://bit.ly/2I9xQ4D . Trata-se de um evento programado pelo ex-prefeito da cidade, ex-presidente estadual do PT e atual tesoureiro do partido, Emídio de Souza. Dentre outras lideranças petistas, devem participar da reunião, em Osasco, o vereador paulistano e ex-senador, Eduardo Suplicy; o presidente estadual da legenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, Luiz Marinho, e a senadora e presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmman.

    E é na cidade de Osasco, que a liberdade no exercício do jornalismo já me rendeu alguns adjetivos, justamente, por eu ser um jornalista que escrevo e falo sobre fatos do nosso dia-a-dia e do momento atual. Nessa cidade, onde exerço a maior parte de minhas atividades desde 1991, quando voltei de Piracicaba, já fui chamado de "rossista", "giglista", "peemedebista, petista e tucano. Rossista e giglista são referências, respectivamente, ao ex-prefeito e ex-deputado Federal, Franisco Rossi, e ao saudoso, também ex-prefeito, ex-deputado Federal e Estadual, Celso Giglio. Não dá para agradar a todos quando procura-se falar a verdade.


    Peço, então, um pouco da sua atenção! Leia, a seguir, a íntegra do artigo que escrevi em dezembro de 1989, entre o primeiro e o segundo da eleição presidencial disputada por Lula e Collor. Dois extremos, mas, que ao longo dos anos ficou claro que eram extremos somente no discurso.


    Parabéns, sim, Lula!

    Após o resultado do 1º turno das eleições presidenciais, quando o povo escolheu democraticamente Collor e Lula para disputarem a Presidência da República, a imprensa brasileira tem sido recheada com diversos artigos contra o candidato Luiz Inácio Lula da Silva. Aparecem até mesmo artigos irônicos, tentando denegrir a imagem de um homem que se mostra apenas preocupado com a miséria de seu povo. São artigos que, no fundo, evidenciam mesmo o desespero de uma classe dominante, retrógrada e perversa, que não admite nem pensar em ver diminuídos os seus lucros criminosos, em prol da miserável população brasileira.

    Sobre as publicações irônicas, gostaria de me referir à que foi publicada neste "Espaço Aberto", no último dia 26 de novembro, com o título: "Parabéns Lula". Nela, o autor brinca, ironiza, fala inverdades e, infelizmente, numa fase de abertura democrática, usa o espaço, não para esclarecer o povo sobre os seus direitos e deveres, mas sim, para tentar manchar o nome de um ex-torneiro mecânico, que lutou pelos seus companheiros, enquanto classe trabalhadora, lutou como Deputado Federal e, hoje, deseja chegar à Presidência apenas com um objetivo: tornar a sociedade brasileira mais justa. São artigos dessa natureza que pregam a luta de classe e não o discurso do Lula. A luta de classe já vem sendo travada há muito tempo. É uma luta surda, com milhões de crianças indefesas morrendo de fome de um lado e os poderosos "capitalistas" do outro.

    E estou muito a vontada para defender o candidato Lula. Não sou petista. Votei em Brizola no 1º turno, e agora jamais poderia votar em Collor de Mello, que em lugar de caçador de marajás não passa de um fabricante de marajás, dos quais, muitos estão trabalhando em sua campanha. Por isso, parabéns, sim, Lula! Os brizolistas estão com você pela libertação do povo brasileiro.

    Os falsos defensores do capitalismo e da livre iniciativa festejam hoje, a derrubada do "Muro de Berlin", mas, esquecem (?) dos vários muros existentes no Brasil. Os falsos democratas e falsos capitalistas esquecem do muro do analfabetismo, que eles mesmos construíram. Somos o país com o maior número de analfabetos do mundo, o que mostra o grau de desenvolvimento da Nação. Esquecem (?) também que a maioria absoluta do povo brasileiro não pode ultrapassar o muro da saúde, pois morre antes na fila da Previdência. Somo também o país dos desdentados, campeões de mortes antes do 1º ano de vida. E, são tantos muros que, certamente, o "Muro de Berlin" não teria significado aqui no Brasil.

    Aqueles que, hoje, querem relacionar a Alemanha Oriental, Tchecoslováquia, , Polônia e outros países do Leste Europeu com o Brasil, esquecem de que estamos na América do Sul, numa cultura totalmente diferente. O povo daqueles países quer apenas conseguir a liberdade de ir e vir, o que é uma coisa sagrada e que estamos plenamente de acordo, mas, perguntamos: O brasileiro tem esta liberdade? Ou está preso atrás do muro da miséria?

    O autor do artigo a que fiz referência, certamente, responderia que estamos numa sociedade livre e que todos têm liberdade de crescer. Mas, isto é verdade? A maioria do povo brasileiro é responsável e trabalha, e será que todos podem viajar no momento que desejarem? Ou podem se alimentar na hora que têm fome? Então, é o povo, o povo pobre que tem mais condições de responder a estas perguntas. Que bom seria se todos aqueles que trabalham dignamente neste país tivessem a liberdade de ir e vir. Por isso, parabéns, sim, Lula!

    Parabéns, sim, Lula, porque o programa do PT é aquele que mais se aproxima do programa do PDT, o qual tem por objetivo, antes de qualquer coisa, dar educação para o povo. Sabemos que ao lado da alimentação e da saúde, a educação é primordial para um povo, pois, de posse do saber, o homem tem armas para lutar pelos seus direitos e, certamente, é isso que amedronta a classe dominante e anti-brizolista. Aqueles que, hoje, comparam o Brasil com o Leste Europeu, esquecem de dizer que o se o brasileiro tivesse a oportunidade de pular um muro ou fugir para outro país, com certeza, ele não conseguiria, porque iria morrer de fome no caminho. Por isso, parabéns, sim, Lula! Vamos ajudar este povo a pular tantos muros. (Renato Ferreira)

    Parabéns sim Lula foto


    Voltando à atualidade sobre Lula e o Brasil

    Portanto, como você notou, nada mudou no Brasil de 1989 até hoje. Ou melhor, mudou sim, para pior, e também mudaram os rumos e ideologias de políticos como o Lula.

    Depois de várias tentativas, em 2002, o ex-torneiro mecânico chegou ao poder e, em vez de procurar lutar contra a corrupção, como berrava nos palanques, se aliou aos corruptos criticados por ele, como o próprio Collor, José Sarney, Renan Calheiros e Paulo Maluf.

    No campo da saúde e educação nada mudou nesses longos 30 anos. E na segurança pública piorou muito. Hoje, temos mais de 60 mil assassinatos por ano, número muito maior em relação aos homicídios de 1989.

    Hoje, portanto, decepcionado, eu não falaria mais "Parabéns, sim, Lula". Talvez, com orgulho, diria: "Parabéns, Sérgio Moro!

     

    Em tempo

    Na época, recebi vários elogios pela publicação desse artigo, inclusive, do Reitor de uma Faculdade de Sorocaba, mas, também quase perdi o emprego de repórter no Jornal de Piracicaba, que era engajado na campanha de Fernando Collor de Mello. Quem salvou a mnha pele e o meu emprego no JP, foi o nosso querido colega, então, editor de Política do Jornal, Mário Evangelista, que atualmente trabalha no Litoral de São Paulo.

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