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Fiéis do mundo inteiro celebram neste 31 de outubro os 500 anos da Reforma Protestante

Fiéis do mundo inteiro celebram neste 31 de outubro os 500 anos da Reforma Protestante Featured

O centro mundial dessas celebrações, que acontecem praticamente em todos os países, é Wittenberg, onde Martinho Lutero lançou suas teses que mudaram a História Mundial

 

Há 500 anos, no dia 31 de outubro de 1517, não somente o Cristianismo mudou, mas, também todas a formas de filosofia, teologia, sociologia e política foram influenciadas pela Reforma Protestante, implementada por Martinho Lutero. Fiéis do mundo inteiro celebram o evento que transformou o mundo  nesta terça-feira, 31 de outubro.  (

No Brasil, durante toda a semana e, principalmente, desdea segunda-feira (30), a Reforma Protestante é celebrada em eventos nas igrejas e em repartições públicas. No Senado, por exemplo, na segunda-feira, religiosos participaram de uma sessão especial, com a presença do coral da Igreja Presbiteriana de Brasília. A Câmara Municipal de Juiz de Fora, em Minas, fez uma sessão solene também. E um culto na noite desta segunda na Igreja do Nazareno Central de Campinas, São Paulo, reuniu fiéis das igrejas luterana, presbiteriana, metodista, batista e anglicana. De um modo geral, todas as igrejas cristãs evangélicas comemoraram os 500 anos da Reforma Protestante.

Reforma protestante na Alemanha

O centro mundial dessas celebrações é Wittenberg, o vilarejo alemão onde nasceram as ideias que provocaram a maior divisão da história do cristianismo. O 31 de outubro é feriado na Alemanha. 

No século XVI,  as mentes humanas se iluminavam depois da Idade Média, quando o monge alemão Martinho Lutero se uniu a outros pensadores da Europa e denunciou os abusos que vinham sendo cometidos pela Igreja Católica à qual ele também pertencia.

Assim, Lutero usou de uma nova tecnologia, a imprensa, recém fundada, para multiplicar seus escritos e fazê-los percorrer a Alemanha e todo o mundo. Martinho Lutero traduziu a Bíblia para o alemão e, assim, conseguiu acabar com as missas realizadas somente em latim para que as pessoas pudessem finalmente entender o que os padres católicos diziam em seus sermões.

Lutero era um revolucionário, porém, ao lançar suas teses, ele não rompia completamente com a tradição cristã. Acreditava no "terrível poder do diabo", pensava ser justo e necessário matar as bruxas nas fogueiras, e acreditava profundamente nas ideias do apóstolo Paulo, afirmando que "o justo viverá da fé".

No entendimento de Lutero, é Deus que torna um homem bom ou justo, e a salvação só existe com uma experiência pura da fé em Cristo. Os reformadores queriam acima de tudo "sola scriptura", ou seja, fidelidade absoluta ao que dizem os evangelhos. Daí terem sido chamados de evangélicos ou protestantes.

Doutor Lutero, como era conhecido por causa da formação acadêmica, vivia em um antigo convento em Wittenberg. E foi nesse  ambiente que Lutero se reunia com estudantes, trabalhava, escrevia e, sobretudo, pensava sobre a reforma que ele pretendia fazer no mundo cristão.  

A Reforma 

No dia 31 de outubro de 1517, 500 anos atrás, em uma das portas na entrada da igreja do castelo de Wittenberg, Lutero pregou seu grande manifesto: um documento com 95 teses profundamente críticas à venda de indulgências  pela Igreja Católica. Naquela época religiosos concediam o perdão divino em troca de dinheiro ou de bens dos fiéis. Eram pessoas que queriam pagar por seus pecados ainda aqui na Terra pensando que, com isso, garantiriam a entrada no reino dos céus. Mas Lutero entendia que, de acordo com as escrituras, isso jamais seria possível. 

Reforma protestante no Brasil

Martinho Lutero revolucionou o conceito de “salvação”, ao afirmar que o crente ganharia seu espaço no céu somente pela graça de Deus, e não pelo comércio das “indulgências”, justamente, o que Bíblia diz claramente. "Não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não há outro nome dado entre os homens, em que devamos ser salvos". Atos 4:12.

Em uma das teses mais duras pregadas na porta da igreja, Lutero afirmava que os religiosos que vendiam perdão estavam pregando "doutrinas humanas que dizem que assim que o dinheiro entra no cofre a alma sai voando do purgatório".

No geral, Lutero atacava principalmente a riqueza acumulada pelo Vaticano. "Os verdadeiros tesouros da Igreja, de onde o papa distribui indulgências, não são suficientemente discutidos ou conhecidos pelo povo de Cristo", afirma Lutero.

Devido ao ato corajoso de Lutero, a Igreja do Castelo, também é conhecida com a Igreja de Todos os Santos, tornou-se um marco no início da Reforma Protestante. E até hoje, principalmente nas celebrações dos 500 anos, pessoas do mundo inteiro vão até lá prestar homenagens ao homem que ousou desafiar a Igreja Católica num tempo de trevas e acabou mudando os rumos da história mundial.  

O monge alemão entrou em uma disputa tão perigosa com a Igreja que precisou passar um ano escondido em um castelo.

Quando voltou a Wittenberg, não mais católico, ele rejeitou a ideia de que padres deveriam ser celibatários e se casou com uma freira que abandonou o convento. Passou a criticar o que dizia ser um excesso de sacramentos e dogmas impostos pela Igreja. Foi repreendido pelo Papa, mas jamais se desculpou.

Voltando ao que se entendia serem as origens do cristianismo, surgiram as igrejas luteranas, presbiterianas e muitas outras denominações, que mais tarde chegariam também ao Brasil.

A Igreja Católica sentiu o golpe e viu uma debandada de fiéis. Muitos protestantes foram perseguidos e algumas décadas depois veio uma guerra terrível pela Europa. De um lado nações católicas, do outro, protestantes.

Cinco décadas depois daquele 31 de outubro de 1517, a venda de perdão, a venda de indulgências, foi proibida pelo Vaticano. As feridas entre católicos e protestantes jamais foram completamente superadas. De forma lenta, nas últimas décadas têm surgidos ações de ambos os lados, se não de reaproximação, pelo menos de uma convivência pacífica. (Renato Ferreira com informações de agências)

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