Quarta, 17 Julho 2019 | Login
O Jornalismo está de luto: Morre Ricardo Boechat

O Jornalismo está de luto: Morre Ricardo Boechat Featured

Renato Ferreira - 

Tem certas notícias que a gente até reluta em publicar, tão grande é o impacto que ela nos causa. É assim que vi a morte do jornalista Ricardo Boechat, ocorrida nesta segunda-feira, 11, por volta do meio-dia, com a queda de um helicóptero, na Rodovia Anhanguera, próximo ao acesso para o Rodoanel Mário Covas.

Ricardo Boechat tinha 66 anos e voltava para São Paulo depois de participar de mais um evento de suas múltiplas atividades como jornalista, apresentador de TV, radialista, escritor e palestrante. Ele voltava de uma palestra na cidade de Campinas. Além de Boechat, morreu também o piloto Ronaldo Quatrucci, os únicos ocupantes da aeronave. Na queda, o helicóptero atingiu a frente de um caminhão. O motorista sofreu ferimentos leves.

Boechat era apresentador do Jornal da Band e da rádio BandNews FM e tinha uma coluna semanal na revista ISTOÉ. Trabalhou também na TV Globo, Jornal O Globo e no Estadão.

Crítico, independente e bem humorado

Filho de diplomatas, Ricardo Boechat nasceu em Buenos Aires e foi criado em Niterói, Rio de Janeiro. Boechat era de uma geração de jornalista, que parece estar em extinção. Ele desempenhou com maestria a arte do bom jornalismo, tanto na TV, como no rádio, jornal e revista.

Apesar de sermos da mesma geração - ele um pouco mais velho - sempre o admirei pela sua capacidade de criticar A, B ou C de vários segmentos da sociedade, fosse da política, economia, esporte ou religião. Essa forma de abordar os mais diversos temas, com a mesma desenvoltura, criticando ou elogiando sem olhar a cor da bandeira política, filosófica ou religiosa, com certeza, lhe rendeu ao mesmo tempo admiradores e críticos, ou até mesmo inimigos.

Mas, esta é a linha do bom jornalismo, que agora está de luto e se sente órfão, pois, perdeu um dos mais competentes e premiados jornalistas. Outra marca de Boechat era o seu constante bom humor, principalmente, na rádio Band FM. Ele ensinou que para ser sério, investigativo e crítico, o jornalista não precisava ser carrancudo, andar de cara fechada ou como se fosse superior aos demais.

Hoje, políticos dos Três Poderes, magistrados e colegas vieram a público para lamentar a morte inesperada do colega. Nas redações, todos os textos saíam molhado de lágrimas pela partida do amigo e colega generoso com todos. Lamentando o fato doloroso, colegas mais velhos, da mesma idade e também os mais novos lembraram dos momentos inesquecíveis que passaram ao lado do competente Ricardo Boechat, que deixa a esposa e seis filhos de dois casamentos.

O corpo etá sendo velado no MIS (Museu da Imagem e do Som), em São Paulo, e será cremado no início da tarde desta terça-feira, 12.
Consternados, todos nós de Notícias & Opinião externamos os mais sinceros sentimentos de pesar. Pedimos a Deus que conforte o coração de todos os familiares e amigos do jornalista e também do piloto Ronaldo Quatrucci. Sem dúvida, o Jornalismo do Brasil ficou mais pobre nesta segunda-feira, 11 de fevereiro. (Renato Ferreira)
000

About Author

Related items

  • IRONIA DO DESTINO: Chico de Oliveira e PHA: duas vidas que se cruzaram na ideologia e se encontraram na morte
     
    Por Renato Ferreira -
    Quis a história reservar a quarta-feira, dia 10 de julho de 2019, para a partida desta vida de duas personalidades brasileiras: o professor universitário e um dos maiores sociólogos do país, Chico de Oliveira, de 85 anos; e o conhecido e experiente jornalista, Paulo Henrique Amorim, de 77 anos.
    O curioso na vida desses dois profissionais é que ambos tiveram atuações fortes e determinantes ao longo de suas carreiras em defesa da esquerda (Chico de Oliveira), e da direita, (Paulo Henrique Amorim); porém, morreram criticando o lado que antes defendiam.
    PHA
    PHA, como era também conhecido Paulo Henriue Amorim, iniciou a carreira profissional nos anos 1960, trabalhou em diversos veículos de comunicação no Brasil e também como correspondente internacional da Rede Globo de Televisão. Todos veículos afinados com o pensamento ideológico da direita. Enquanto trabalhou nesses veículos - rádio, TV, revista e jornal - PHA sempre fez criticas aos partidos de esquerda, como PCdoB e o PT, e também às suas lideranças como Luis Inácio Lula da Silva.
    Em 1998 já TV Bandeirantes, denunciou no Jornal da Band que o, então candidato, Lula, tinha adquirido carros e imóveis de forma ilegal durante a campanha. Chegou a ser processado pelo petista. Porém, a partir dos anos 2003. ap ser contratado pela Rede Record, o jornalista foi, paulatinamente, se aproximando da esquerda. Além de atuar em outras plataformas, criou, por exemplo, o blog "Conversa Afiada", tornando-se num dos maiores críticos dos tucanos e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
    Tinha um estilo próprio de fazer televisão e, fazia suas críticas com um tom ácido e com muita ironia. E era com esse estilo que criticava os tucanos, ao mesmo tempo em que defendia o PT e Lula, passando a ser também nos últimos anos um crítico ferrenho da Operação Lava Jato, ao mesmo tempo que defendia a liberdade de Lula. Há um mês antes de morrer, quando também foi afastado do Domingo Espetacular, da Record, PHA gravou um vídeo polêmico afirmando que Bolsonaro iria morrer em breve.
    Chico de Oliveira
    Por outro lado, o sociólogo Chico de Oliveira, fez toda a sua caminhada profissional e política atuando ativamente no campo da esquerda. Chegou, inclusive, a ser preso no Governo Militar em duas oportunidades e morou no exterior, como exilado.
    Esse seu ativismo de esquerdista o levou a ser um dos fundadores do PT nos anos 1980. Sempre esteve ao lado do então, sindicalista e depois deputado Federal, Luiz Inácio Lula da Silva.
    Porém, essa ligação com o PT durou só até 2003, justamente, o ano em que Lula tomou posse como Presidente da República. Por discordar dos rumos que Lula tomou para ser eleito, e também de suas medidas tomadas logo no início do mandato, Chico de Oliveira acabou se afastando do Partido e passou a a fazer duras críticas ao presidente petista e ao seu governo. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo em 2016, disse que o PT como “força transformadora tinha acabado”.
    Chegou também a ajudar na fundação do PSOL, legenda formada, principalmente, por dissidentes petistas, como a ex-senadora Heloísa Helena. Mas, pouco tempo depois se afastou também da legenda por discordar de seus rumos políticos. Morreu como Professor Emérito de Sociologia da USP.
    Mais coerente que PHA, Chico de Oliveira nunca chegou a ser defensor da direita, assim, como PHA passou a defender a esquerda. Mas, contudo, o dia 10 de julho de 2019, que marca a partida de PHA e de Chico de Oliveira, registra também que ambos morreram criticando o lado político que antes defendiam. Ironia do destino. (Renato Ferreira)
  • LUTO: Morre o sociólogo Chico de Oliveira, um dos fundadores de PT e PSOL
    Em 2003, meses depois de Lula assumir a Presidência, o sociólogo se afastou do PT e tornou-se cada vez mais crítico das medidas tomadas pelo partido que havia fundado.
     
    O pernambucano Francisco Maria Cavalcanti de Oliveira, mais conhecido como Chico de Oliveira, morreu aos 85 anos na madrugada desta quarta-feira, 10/07. A informação foi confirmada pela Universidade de São Paulo (USP), onde ele era professor emérito. A família não divulgou a causa da morte.
    O velório aconteceu no salão nobre do prédio administrativo da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da universidade, na rua do Lago, 717, a partir das 17h..
    Um dos mais influentes nomes das ciências sociais no Brasil a partir da década de 1960, Oliveira lançou ensaios que se tornaram referências, como "Crítica da Razão Dualista" (1972), "Elegia para uma Re(li)gião" (1977) e "O Ornitorrinco" (2003).
    Fundador e crítico do PT
    Chico de Oliveira ajudou a fundar o PT em 1980, mas decepcionou-se com o partido quando o ex-presidente Lula chegou à Presidência. Também esteve no núcleo de criação do PSOL em 2004, porém, logo se desencantou com a sigla.
    Nascido no Recife em 1933, graduou-se em ciências sociais em 1956 na antiga Faculdade de Filosofia da Universidade do Recife, atual Universidade Federal de Pernambuco. Nesse período, foi um dos fundadores do Movimento Estudantil Socialista de Pernambuco.
    Trabalhou na Sudene (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste), sob a orientação de Celso Furtado, que o influenciou decisivamente nesta época.
    Foi preso durante o regime militar, em Pernambuco, durante dois meses. Depois de ser solto, deixou o país e viveu três anos entre Guatemala e México.
    Em 2003, meses depois de Lula assumir a Presidência, o sociólogo se afastou do PT e tornou-se cada vez mais crítico das medidas tomadas pelo partido que havia fundado. "Lula não tem objetivos porque não tem inimigos de classe", escreveu em ensaio publicado na revista Piauí em 2007.
    Para o sociólogo, os últimos anos foram marcados por um acentuado ceticismo em relação à política e à economia do país. No livro "Brasil: Uma Biografia Não Autorizada", o mais longo ensaio tinha como título "O Adeus do Futuro ao País do Futuro". (Diário do Nordeste)
  • NO DESESPERO: Reforma Trabalhista tira mais de R$ 3 bilhões dos sindicatos com o fim da contribuição obrigatória

    Mais um motivo que faz a esquerda fajuta do Brasil lutar tanto para acabar com o governo Bolsonaro. Até 2017, os sindicatos arrecadavam mais de R$ 3,6 bilhões com as contribuições descontadas em Folha de Pagamento. Com a reforma, em 2018, essa fortuna caiu pra menos de R$ 500 milhões.

     

    Depois de décadas se enriquecendo às custas do povo e com dinheiro público, sindicatos de trabalhadores e de patrões - a maioria absoluta de sindicatos pelegos - tiveram seus recursos drasticamente drenados pelo fim da obrigatoriedade da contribuição sindical, como era esperado.

    Dados oficiais mostram que em 2018, primeiro ano cheio da reforma trabalhista, a arrecadação do imposto caiu quase 90%, de R$ 3,64 bilhões em 2017 para R$ 500 milhões no ano passado. A tendência é que o valor seja ainda menor em 2019. Daí o desespero dos sindicalistas pelegos e seus companheiros com mandatos políticos.

    O impacto foi maior para os sindicatos de trabalhadores, cujo repasse despencou de R$ 2,24 bilhões para R$ 207,6 milhões

    O efeito foi uma brutal queda dos repasses às centrais sindicais, confederações, federações e sindicatos tanto de trabalhadores como de empregadores. Muitas das entidades admitem a necessidade de terem de se reinventar para manter estruturas e prestação de serviços.

    Além de cortar custos com pessoal, imóveis e atividades, incluindo colônia de férias, as alternativas passam por fusões de entidades e criação de espaços de coworking.

    O governo Federal pretende enviar ao Congresso, após o recesso parlamentar, um Projeto de Lei para regulamentar as contribuições sindicais. Com a reforma Trabalhista, agora, elas só poder ser cobradas com boletos e de acordo individual de cada trabalhador.

    Após a aprovação da reforma, alguns sindicatos tentaram driblar a legislação, criando uma forma de cobrar a contribuição com acordo aprovado em assembleia. Mas, essa estratégia foi proibida pelo Supremo Tribunal Federal.

    O Brasil é o campeão disparado em número de sindicatos. Enquanto em países como Estados Unidos, Inglaterra, França e outras Nações desenvolvidas, o número de sindicatos não passa de 400, no Brasil esse número é quase 17 mil sindicatos. Uma verdadeira indústria de contribuições e de sindicalistas cada vez mais milionários.

    A nossa crítica não é generalizada, pois, sabemos que existem sindicatos tanto de trabalhadores, como de patrões que, realmente, lutam e trabalham em prol de suas categorias e associados. E, com certeza, são esses que vão continuar existindo, pois, terão condições de convencer os trabalhadores da sua importância. Quanto aos demais sindicatos que já pensam em fusões e em venda de imóveis, quem sabe conseguirão sobreviver promovendo rifas em suas sedes. (Renato Ferreira com informações de Época Negócios)

Quem somos

Notícias & Opinião é um site de notícias gerais editado pela Empresa Jornalística Notícias de Paz Ltda - EPP, a partir da Capital e região Oeste da Grande São Paulo.

Como o próprio nome diz, aqui você vai encontrar notícias, entrevistas, artigos, crônicas e opinião sobre política, economia, educação, cultura e esporte, dentre outros temas do nosso dia-a-dia.