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PREVENÇÃO: Como está a sua barragem?

PREVENÇÃO: Como está a sua barragem? Featured

 

Por Renato Ferreira -

No Brasil, um dos maiores países em riquezas mineirais do planeta, rios, nascentes, usinas hidrelétricas e de grande extração mineral, pode-se dizer que todos os brasileiros têm uma barragem para chamar de sua. E, então, você sabe qual a situação dessa barragem aí, próximo à sua casa, na cidade, e também daquela, lá no interior, um pouco acima de sua chácara ou sítio, onde você reside ou passa os finais de semana com a família?

Cuidado! Comece a fiscalizar por conta própria, para não ser surpreendido como nossos irmãos lá de Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte, vítimas de mais um crime da Vale, uma das maiores mineradoras do mundo.

Barragem urbana

Existem barragens como reservatórios de água para abastecimento, de hidrelétricas e também as barragens de rejeitos minerais. E, sem dúvidas, as barragens de rejeitos são as de maiores riscos, justamente, por causa do lixo químico que ela abriga, além da lama tóxica que destrói o meio ambiente. Mas, todas carecem de atenção permanente para verificar a situação da construção e a manutenção necessária. No Brasil são de 20 mil barragens e muitas delas oferecem sério risco à população e ao meio ambiente.

Portanto, fique atento e fiscalize você mesmo a sua região, porque os bilionários empresários donos dessas barragens de rejeitos minerais, de onde eles tiram seus bilionários lucros, não fiscalizam. Nem eles e, muito menos, os políticos que elegemos para administrar o Brasil, os estados e as cidades.

Além de centenas de rompimentos menores que ocorrem em todas as regiões do Brasil, Minas nos deu um triste exemplo há três anos, quando a barragem do Fundão, da mineradora Samarco, sócia da Vale, rompeu em Mariana.

O crime ambiental de Mariana tirou a vida de 19 pessoas, além de causar a maior destruição ao meio ambiente do mundo. Ele acabou com a mata, nascentes, fauna e flora da Bacia do Rio Doce, um dos mais importantes para o abastecimento de água do país.

Tragédia em Brumadinho casa destruída

Mas, infelizmente, os responsáveis não aprenderam a lição de Mariana. A então presidente Dilma Rousseff (PT) fez vista grossa. O então governador de Minas, o também petista Fernando Pimentel foi omisso e cúmplice, pois, além de não exigir punições severas, ainda permitiu a operação em mina já desativada, como foi o caso dessa barragem da Vale, em Brumadinho. Até hoje ninguém foi condenado pelo crime de Mariana, como também as multas e indenizações não foram pagas.

Para enganar a população, a Vale passou a veicular a mensagem de "Mariana nunca mais", como se tivesse mudado a sua política de extração e destinação dos rejeitos minerais. Tudo mentira. A mineradora não fez nada diferente após Mariana e nem o governo de Pimentel exigiu mudanças.

O resultado dessa combinação de ação e omissão criminosas por parte de empresários e governantes não poderia ser outro, senão, mais um grave crime ambiental. E a vítima foi a cidade de Brumadinho.

O presidente da Vale, Fabio Schvartsman, que assumiu o cargo em 2017, continua dando entrevistas, lamentando o "acidente", como se a sua empresa não fosse a principal culpada por esse crime hediondo, por centenas de assassinatos e mais uma devastação do meio ambiente. Já foram confirmadas 110 mortes e cerca de 240 pessoas continuam desaparecidas.

Durante entrevista nesta quinta-feira, 31, após reunião com a Procuradora-Geral da República, Raquel Dodge, prometendo doação e indenização às vítimas, Fabio Schvartsman se superou. Ele, que é engenheiro, disse que a sirene não soou antes do rompimento em Brumadinho, porque ela foi "engolfada" pelo rompimento rápido e inesperado. Seria melhor que esse senhor ficasse calado e parasse de afirmar tanta besteira.

Escrevo este artigo não com intuito de alarmas, mas, sim, com o objetivo de as pessoas se mobilizem cada vez no sentido de cobrar das autoridades as fiscalização dessas barragens.

E essa fiscalização deve ser muito rigorosa, pois, além da deterioração da obra, ou de um abalo sísmico, pode ainda ocorrer atém mesmo uma sabotagem, como ocorrem os incêndios criminosos. Nesse caso, a empresa não pode ser responsabilizada, porém, é uma hipótese que os empresários não podem descartar e têm que investir para prevenir qualquer tipo de ataque.

Então, meu amigo, se você mora em algum bairro, ou tem chácara próximo à alguma barragem, tome cuidado e procure saber como está essa construção, que gera lucros a empresários criminosos e que a qualquer momento pode romper e destruir tudo que encontrar pela frente. (Renato Ferreira)

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    Decolou neste domingo, 27/01, uma missão com 130 integrantes das Forças de Defesa de Israel que vão ajudar no resgate das vítimas da tragédia em Brumadinho (MG).

    O avião fretado da companhia israelense El Al deixou Tel Aviv por volta das 6h30 (horário brasileiro de verão) e o pouso em Confins está previsto para acontecer por volta das 21h30.

    As equipes vão levar equipamentos de ponta para tentar localizar sobreviventes e corpos soterrados pela lama da barragem da mineradora Vale que se rompeu na última sexta-feira (25).

    Antes do embarque, as Forças de Defesa de Israel postaram no Twitter uma foto do grupo que viaja ao Brasil, com a frase: "salvar vidas não é sobre o quão longa é a distância, é sobre o quão longe você está disposto a ir".

    A delegação é composta por soldados, oficiais, engenheiros, médicos e especialistas da unidade submarina da Marinha israelense. Também viaja o embaixador de Israel para o Brasil, Yossi Sheli.

    "Vai ser um desafio como nenhum outro e estamos prontos para atender", declarou o comandante do grupo, coronel Golan Vach.

    O presidente Jair Bolsonaro e o primeiro ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, negociaram o envio do apoio da equipe especializada.

    No Twitter, Netanyahu, que esteve na posse de Bolsonaro, disse ter falado com o presidente para sugerir "que Israel envie assistência imediata para o local do desastre e ajude na busca dos desaparecidos".

    Estreia
    A missão israelense ao Brasil é a primeira desde que o grupo foi certificado, em novembro, pelo INSARG (Grupo Consultor Internacional de Busca e Resgate), composto também por grupamentos da Bielorrússia, Alemanha, Islândia, Rússia, Turquia, Reino Unido e Estados Unidos.

    No entanto, a imprensa local lembra que Israel já enviou ajuda em grandes catástrofes, como os terremotos no Nepal, em 2015, e no México, em 2017. (R7)


    Decolou neste domingo, 27/01, uma missão com 130 integrantes das Forças de Defesa de Israel que vão ajudar no resgate das vítimas da tragédia em Brumadinho (MG).

    O avião fretado da companhia israelense El Al deixou Tel Aviv por volta das 6h30 (horário brasileiro de verão) e o pouso em Confins está previsto para acontecer por volta das 21h30.

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  • ASSASSINOS IMPUNES: Após três anos, outra barragem da Vale se rompe em Minas Gerais

    A barragem 1 da Mina Feijão se rompeu em Brumadinho e um rio de lama desceu destruindo casas e o meio ambiente, na mais triste repetição de um filme já conhecido. Já foram identificadas ao menos 7 pessoas mortas e cerca de 200 estão desaparecidas.

    Por Renato Ferreira

    Até quando a impunidade e a irresponsabilidade de nossas autoridades continuarão levando à morte pessoas inocentes? Verdadeiros assassinatos coletivos causados pela ganância de empresários assassinos e pela conivência de autoridades que deveriam fiscalizar a ação devastadora dessas mineradoras no Brasil?

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    Nesta sexta-feira, 25, depois de três anos da maior tragédia ambiental do país, que aconteceu na cidade de Mariana, outra tragédia ocorreu em Minas Gerais, com o rompimento da barragem de outra mineradora também da Vale. Desta vez foi na cidade de Brumadinho, região Metropolitana de Belo Horizonte.

    Outra tragédia que também poderia ter sido evitada, caso o Brasil fosse um país sério, onde houvesse fiscalização pelos órgãos públicos responsáveis e punição severa para os empresários assassinos que comandam essas mineradoras.

    Há três anos
    Além da morte de 20 pessoas - 19 identificadas e uma ainda desaparecida - a tragédia de Mariana causou maiores danos ao meio ambiente, contaminando rios e córregos, principalmente, o Rio Doce, de Minas ao Espírito Santo, além de total destruição da flora e da fauna em toda a região. Mas, parece que a maior tragédia ambiental do país não serviu como lição para evitar outras tragédias.

    Novo governo e novas medidas
    Lamentamos pelas vítimas de Brumadinho, e parece que desta vez o desfecho desta tragédia em termos de apuração e punição dos culpados serão diferentes. É o que esperamos. No caso de Mariana, a então presidente da República, Dilma Rousseff (PT), custou a entrar no caso. Demorou para se pronunciar e quando o fez chegou a minimizar a culpa dos donos da Vale como também das outras mineradoras que atuavam na mesma mina.

    Da mesma forma, o então governador do Estado, Fernando Pimentel (PT), que fez uma péssima administração, tanto que não foi reeleito em 2018, nada fez no sentido de exigir, como chefe do Poder Executivo, rigorosa investigação sobre o caso e punição exemplar para os culpados. Resultado desse desinteresse do Executivo: até hoje nenhum dos responsáveis foi punido e as indenizações ainda não foram pagas aos milhares de desabrigados. Enquanto, isso o meio ambiente foi devastado.

    Bolsonaro toma providências

    Tragédia em Brumadinho Bolsonaro

    Falando em rede nacional, o Presidente Bolsonaro determinou providências imediatas do governo Federal para ajudar o governo de Minas e as vítimas de Brumadinho

    Hoje, no entanto, diferente da ex-presidente petista, o Presidente Jair Bolsonaro veio a público de imediato para lamentar a tragédia, como também tomou providências urgentes no sentido de mobilizar o governo Federal para atender às vítimas de Brumadinho. O Palácio do Planalto determinou a implantação de um comitê de crise para acompanhar o caso, juntamente com a força tarefa montada pelo governo de Minas.

    Bolsonaro ressaltou também que se trata de uma tragédia que poderia ter sido evitada e que o governo Federal será rigoroso na apuração das responsabilidades sobre o rompimento dessa barragem da Vale.

    É claro que as primeiras responsabilidades sobre o rompimento de uma barragem não pode ser jogada sobre o governo do Estado ou do governo Federal, Mas, eles são os responsáveis por cobrar dos órgãos competentes o rigor na fiscalização dessas construções. A falta de manutenção fica evidente nessas tragédias, que jamais podem ser consideradas como tragédias naturais.

    A Vale é uma das maiores empresas do mundo e a maior mineradora do planeta. Só em 2017, a empresa brasileira teve um lucro de R$ 17 bilhões. Com certeza, com todo esse potencial financeiro, a empresa teria condições de cuidar melhor de suas barragens, não é mesmo? O rejeitos minerais e demais produtos químicos da barragem de Brumadinho atingiram o Rio Paraopeba e, segundo os especialistas, esses dejetos minerais poderão atingir também as águas do Rio São Francisco, o maior rio de integração nacional, causando uma tragédia ambiental sem precedentes. 

    Tragédia em Brumadinho bombeiro

    Durante a tragédia, um Bombeiro abraça um dos sobreviventes em Brumadinho

    Hoje, durante uma entrevista à imprensa, o presidente da Vale chegou a causar indignação ao se referir à tragédia. Fábio Schvartsman disse reconhecer que o número de vítimas pode ser muito grande e que desconhece as causas do rompimento da barragem. Como assim? As causas são a falta de manutenção e a responsabilidade dos senhores em verificar diariamente as condições da construção.

    Esperamos também que desta vez o novo governador de Minas, Romeu Zema, possa agir diferentemente do petista Pimentel e exigir rigorosas fiscalizações nas demais mineradores do Estado. Essas barragens existem em outras regiões do País, mas, é em Minas onde está a maioria dessas barragens, que abrigam dejetos de minérios de ferro e de outros produtos químicos.

    Infelizmente, o Brasil se tornou no país da impunidade. Nossas autoridades se acostumaram apenas a lamentar depois das tragédias, como incêndios em boates e em prédios ocupados, deslizamento de terra em locais de risco, enchentes ou desabamento de pontes e viadutos. Logo após às tragédias há uma natural comoção popular e uma corrida das autoridades em fiscalizar, mas, tudo passa muito rapidamente e as fiscalizações só voltam acontecer depois de nova tragédia.

    Mas, agora, com novo governo e novas mentalidades em termos de administração pública, esperamos que esse lamentável quadro mude no Brasil. Não podemos esperar por novas boates incendiadas, novos desabamentos de pontes e novos rompimentos de barragens de mineradoras, com centenas e milhares de mortes e destruição do meio ambiente, para se fazer as fiscalizações e as manutenções necessárias. Minas sangra em mais um mar de lama causado por uma mineradora assassina (Renato Ferreira)

  • PREVENÇÃO: Barueri realiza mapeamento de áreas de riscos geológicos
    Medida visa prevenir a cidade contra incidentes provocados pelas chuvas como inundação e deslizamento de terra no município
     
     
    A ação conjunta entre Guarda Municipal, Defesa Civil e Demutran (órgãos da Secretaria de Segurança e Mobilidade Urbana – SSMU) trabalha no monitoramento de chuvas e tempestades em pontos de visibilidade nas regiões mapeadas com maior índice de alagamentos.
    A SSMU possui em sua equipe de profissionais um geocientista e analista ambiental que realiza durante o ano o mapeamento de riscos de deslizamento de terra e inundação que é desenvolvido pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e pela Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais do Brasil (CPRM), nas 18 microbacias que se encontram em Barueri. Esse trabalho já produziu a listagem de ruas e suas extensões com possíveis riscos. Quando avaliado, o resultado é comunicado às Secretarias de Obras e de Serviços Municipais.
    “Para a consecução da setorização e mapeamento de ultradetalhe das áreas de riscos serão necessários trabalhos de campo e análises laboratoriais que deverão ser realizados ao longo de 2019”, conclui o geocientista da SSMU, Edson Oliveira da Silva. (SECOM/PMB)

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