Segunda, 23 Julho 2018 | Login
"Causa perplexidade e intolerável insegurança jurídica decisão tomada por autoridade manifestamente incompetente", disse a ministra, referindo-se ao desembargador Rogério Favreto, do TRF-4, que mandou soltar o ex-presidente petista,
 
Nesta terça-feira, 10/07, o PT e o ex-presidente Lula sofreram nova derrota na Justiça. A presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministra Laurita Vaz, decidiu negar um novo habeas corpus protocolado em favor do ex-presidente petista. O pedido de liberdade não foi feito pela defesa de Lula e é um dos 146 que chegaram ao tribunal após as recentes decisões conflitantes que determinaram a soltura e a manutenção da prisão de Lula.
Na decisão, a ministra entendeu que a decisão do juiz plantonista Rogério Favreto, que estava no plantão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, no último domingo, desrespeitou as decisões anteriores que mantiveram a prisão do ex-presidente.
"Causa perplexidade e intolerável insegurança jurídica decisão tomada de inopino, por autoridade manifestamente incompetente, em situação precária de Plantão judiciário, forçando a reabertura de discussão encerrada em instâncias superiores, por meio de insustentável premissa", decidiu a ministra.
Segundo a ministra Laurita Vaz, o argumento de que Lula é pré-candidato à Presidência da República não é fato jurídico para justificar a concessão de liberdade pelo desembargador Favreto. A questão foi levantada por deputados do PT que recorreram ao plantão judicial.
"Em face do, repito, inusitado cenário jurídico-processual criado, as medidas impugnadas no presente habeas corpus – conflito de competência suscitado nos próprios autos e a decisão do Presidente do TRF da 4.ª Região resolvendo o imbróglio – não constituíram nulidade, ao contrário, foram absolutamente necessárias para chamar o feito à ordem, impedindo que Juízo manifestamente incompetente (o Plantonista) decidisse sobre questão já levada ao STJ e ao STF", argumentou Laurita.
Entenda o caso
Lula está preso na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba desde o dia 7 de abril, por determinação do juiz Sérgio Moro, que ordenou a execução provisória da pena de 12 anos e um mês de prisão pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, no caso do triplex em Guarujá (SP). A prisão foi executada com base na decisão do STF que autorizou prisões após o fim dos recursos na segunda instância da Justiça.
No domingo, 08, , o desembargador Rogerio Favreto atendeu a um pedido de liberdade feito por deputados do PT em favor de Lula. Em seguida, o juiz Sergio Moro e o desembargador do Tribunal Regional Federal da 4ª Região Gebran Neto, ambos relatores dos processos da Operação Lava Jato, derrubaram a decisão de Favreto por entenderam que o magistrado não tinha competência para decidir a questão. No mesmo dia, o entendimento foi confirmado pelo presidente do TRF, Thompson Flores, determinado a permanência de Lula na prisão. (Fonte: Agência Brasil)
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Segundo o relator, o plantão judiciário não se destina à reiteração de pedido já apreciado no Tribunal ou em outras instâncias superiores
Nesta segunda-feira, 09/07, o desembargador federal João Pedro Gebran Neto, do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4), relator da Operação Lava Jato na Corte, ratificou a revogação das decisões deferidas em plantão pelo desembargador federal Rogerio Favreto no domingo dia 8.
Durante o último final de semana, Favreto criou uma das maiores crises no Judiciário brasileiro ao conceder habeas corpus e determina a suspensão da execução provisória da pena do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Lula foi condenado a 12 anos e um mês de reclusão por corrupção e lavagem de dinheiro no processo do triplex do Guarujá.
Segundo o relator Gebran Neto, o plantão judiciário não se destina à reiteração de pedido já apreciado no órgão judicial de origem ou em plantão anterior, nem à sua reconsideração ou reexame.
“Não há amplo e ilimitado terreno de deliberação para o juiz ou para o desembargador plantonista”, assinalou Gebran, citando as Resoluções nºs 71, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), e 127, do TRF-4, que estabelecem tais diretrizes.
Quanto à alegação dos deputados do PT que subscreveram o pedido de habeas de Lula - segundo os quais, antes de que existiria fato novo consistente no direito do ex-presidente Lula de exercer sua pré-candidatura, podendo ser livremente entrevistado -, o desembargador ressaltou que não há tal fato, já tendo sido a questão debatida pela 8ª Turma.
“Foi especificamente tratado pelo colegiado o tema sobre o eventual direito de ir e vir do reeducando, de modo que sequer caberia a este relator, juiz natural do caso, decidir monocraticamente a respeito da suspensão do julgado ao alvedrio do que já foi assentado pela 8ª Turma deste tribunal”, afirmou Gebran.
O desembargador reforçou ainda que o calendário eleitoral sequer foi iniciado e a condição de pré-candidato somente autoriza a abertura de conta para arrecadação de recursos ou prática de atos intrapartidários, sem que isso qualifique qualquer cidadão para a realização de campanha ou lhe atribua outro signo jurídico diferenciado.
“A qualidade que se autoatribui o ex-presidente não tem nenhuma propriedade intrínseca que lhe garanta qualquer tratamento jurídico diferenciado, ou que lhe assegure liberdade de locomoção incondicional”.
“O deferimento de liminar em sede de habeas corpus representa afronta não somente à decisão colegiada da 8ª Turma, mas igualmente às deliberações de outros dois colegiados superiores”, acrescentou Gebran, lembrando que tanto o Superior Tribunal de Justiça (STJ) quanto o Supremo Tribunal Federal (STF) já se manifestaram a respeito do caso denegando a ordem.
“Não há argumento razoável que exclua da apreciação ordinária do relator o exame da questão, quando inexiste qualquer urgência ou fato novo a justificar a intervenção excepcional”, concluiu o relator. (Fonte: Jornal Estado de Minas)
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Sorteado como relator do novo pedido, o ministro também negou o envio para Segunda Turma julgar recurso
Na tarde desta sexta-feira, 29/06, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes negou o pedido de liberdade feito pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O ministro rejeitou também outro pedido onde os advogados solicitavam que o recurso fosse julgado pela Segunda Turma da Corte, e não pelo plenário.
Os advogados fizeram esse segundo pedido, porque no colegiado há maioria de três votos contra a prisão em segundo turno. A Segunda Turma tem como membros os ministros Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski, além de Fachin e Celso de Mello. Só os dois últimos são a favor da prisão em segunda instância.
Ao justificar o envio, Fachin disse que a questão deve ser tratada pela Corte por exigir análise do trecho da Lei da Ficha Limpa que prevê a suspensão da inelegibilidade “sempre que existir plausibilidade da pretensão recursal”.
Condenado a 12 anos e um mês de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro na operação Lava Jato, Lula está preso desde o dia 7 de abril. Essa condenação refere-se ao caso caso do triplex em Guarujá (SP). Todos os recursos de Lula foram negados pelo TRF-4 (Tribunal Federal Regional da 4ª Região) de Porto Alegre, como também nos Tribunais superiores.
Hoje, foi realizada a última sessão do STF antes do recesso forense. Assim, outros recursos da defesa de Lula só serão julgados em agosto. (Fonte: Agência Brasil)
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Advogados do ex-presidente petista questionam decisão de Fachin sobre julgamento em plenário
Conforme matéria no G-1, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), é o relator do novo pedido da defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Nesta quinta-feira, 28/06, por meio de uma reclamação, os advogados questionaram a decisão do ministro Edson Fachinm, relator da Lava-Jato no Supremo, de mandar o pedido de liberdade do petista ao plenário, em vez de julgá-lo na Segunda Turma. A defesa solitou também um novo relator, excluindo Fachin, e uma liminar para Lula aguardar em liberdade o julgamento dos recursos.
O pedido foi distribuído pelo sistema eletrônico de sorteio do STF, que não incluiu Fachin, e o relator do novo pedido de liberdade será Alexandre de Moraes. Em abril, Moraes foi contra o habeas corpus de Lula, em votação no plenário. A defesa do ex-presidente pede que o relator sorteado conceda a liminar para soltar Lula e, depois, ainda quer que a Segunda Turma reconheça que Fachin desrespeitou a competência do colegiado quando remeteu o pedido dele ao plenário, onde os advgados avaliam que o resultado é menos favorável ao petista.
A defesa de Lula queria também que o sorteio para relator ocorresse apenas entre os ministros da Segunda Turma, com exceção de Fachin: Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Celso de Mello. Porém, a distribuição foi livre, com base no parágrafo 8º do artigo 67 do Regimento Interno da Corte, que prevê o sorteio entre todos os integrantes do tribunal exceto o presidente e o ministro cujo ato foi questionado na reclamação. (Fonte: G1)
 
Será que o Lula vai aceitar o ministro Alexandre de Moraes como relator de seu pedido? Cuidado heim STF? (Renato Ferreira)
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Delação premiada do ex-ministro de Lula e Dilma foi homologada pela Justiça nesta sexta-feira

 

O clima de esperança no Partido dos Trabalhadores com a absolvição da senadora e presidente nacional da legenda, Gleisi Hoffmann, na terça-feira, 19/06, pela Segunda Turma do STF (Supremo Tribunal Federal), durou pouco. Dois dias depois, a esperança se transformou em grande decepção e preocupação com o arquivamento do pedido de liberdade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a homologação da delação premiada de Antonio Palocci, ex-ministro dos governos Lula e Dilma Rousseff.

Após a Segunda Turma absolver Gleisi Hoffmann e seu marido Paulo Bernardo, também ex-ministro dos governos petistas, dos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, a cúpula petista esperava outra vitória no STF em votação já marcada para a próxima terça-feira, 26/06, também pela Segunda Turma do STF. Os ministros Edson Fachin, Gilmar Mendes, Celso de Mello, Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski iriam julgar mais um pedido de liberdade de Lula. A esperança era grande uma vez que a maioria da Segunda Turma já tinha votado contra a prisão em segunda instância.

Só que na sexta-feira, 22, o TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região), em Porto Alegre, decidiu enviar o processo de Lula para o STJ (Superior Tribunal de Justiça), e não para o STF (Supremo Tribunal Federal). Com essa decisão, Fachin mandou arquivar o pedido, que já havia sido pautado por Lewandowski, presidente da Segunda Turma.

Palocci abre o bico

E se não bastasse isso, também na sexta-feira, 22, o TRF-4 tomou outra medida que preocupa ainda mais ao PT e ao Lula. Trata-se da homologação da delação premiada de Antonio Palocci assinada com a Polícia Federal. Os depoimentos de Palocci estão em segredo de Justiça, e o conteúdo não foi divulgado. Palocci está preso desde setembro de 2016 em função das investigações da Operação Lava Jato.

O ex-ministro foi condenado pelo juiz Sérgio Moro a 12 anos, dois meses e 20 dias de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro em um dos processos da operação.

E os petistas não escondem a preocupação com o que Paloci poderá falar aos investigadores. Em seu primeiro depoimento a Sérgio Moro, além de se colocar à disposição da Justiça, Palocci foi enfático ao afirmar que sabe com detalhes de todo o esquema do PT e dos governo de Lula e Dilma com a empreiteiras no caso de desvio de dinheiro da Pedrobras. "O Lula firmou um pacto de sangue com a Odebrecht", disse Palocci.

Palocci, que pediu desfiliação do PT antes de ser expulso, é hoje considerado um traidor pelos petistas. Para cúpula do partido, parlamentares e militância, Palocci "é traidor" e estaria mentindo para obter redução de sua pena.

No caso do pedido de liberdade de Lula, seus advogados de defesa já disseram que vão recorrer. Já sobre a delação de Palocci, a defesa vai esperar o final dos depoimentos para se posicionar, uma vez que Lula responde a outros processos, como o caso do Sítio de Atibaia, e também porque Palocci é um profundo conhecedor de todas as medidas tomadas dentro do partido e também pelos governos de Lula e Dilma. Ele foi ministro da Fazenda de Lula.

Até o momento, Antonio Palocci prestou depoimentos à Justiça, mas, agora, com a homologação da delação, tudo que ele falar será investigado pela Polícia Federal que vai atrás das provas que ele indicar. (Renato Ferreira)

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Ministro tomou a decisão pelo arquivamento depois que o TRF4 enviou o caso para o STJ. Pedido de liberdade seria julgado na próxima terça, 26. Defesa diz que vai recorrer
Nesta sexta-feira, 22/06, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Luiz Edson Fachin, mandou arquivar o pedido de liberdade apresentado pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
 
Lula está preso desde o dia 7 abril, após ter sido condenado na Lava Jato, e o pedido seria julgado na próxima terça, 16/06. Após a decisão de Fachin, o presidente da Segunda Turma do STF retirou o pedito da pauta.
 
A decisão de Fachin foi tomada depois que o Tribunal Regional Federal da Quarta Região (TRF-4), responsável pela Lava Jato em segunda instância, enviou, hoje, o caso de Lula para o Superior Tribunal de Justiça (STJ), e não para o STF. Para o ministro, a decisão do TRF4 acaba prejudicando o pedido de liberdade. A defesa do ex-petisa já dise que vai recorrer.
Entenda o caso
Após ser condenado a 12 anos e 1 mês, em regime fechado, Lula encontra-se preso na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba (PR). Ele foi condenado em segunda instância pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
Segundo as investigações da Lava Jato e os ministros do TRF4, Lula recebeu da OAS um triplex em Guarujá (SP) como contrapartida dos contratos firmados pela construtora com a Petrobras. Lula nega as acusações. (Fonte: G1)
 
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Em depoimento por videoconferência, o ex-presidente petista  negou que tenha "relação íntima" com Sérgio Cabral

 

Nesta terça-feira, 05/06, o ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), prestou depoimento como testemunha de defesa do ex-governador Sérgio Cabral (MDB), que também encontra-se preso, após ser condenado pela Operação Lava Jato. Em depoimento por cerca de 50 minutos ao juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio, o ex-presidente petista afirmou que "não acredita que hoje um brasileiro esteja mais em busca da verdade do que ele".


Lula depôs pelo sistema de videoconferência, desde a sede da Polícia Federal, em Curitiba - onde está preso há quase dois meses. Sérgio Cabral já foi condenado a 100 anos de reclusão na Lava-Jato e desdobramentos.

O ex-presidente, de terno e gravata, depôs no processo em que o emedebista é acusado de ligação com esquema de compra de votos para eleger o Rio sede da Olimpíada de 2016.

No início da audiência, o juiz Marcelo Bretas, que preside a ação, prestou condolências ao petista pela morte de sua mulher Marisa, ocorrida em fevereiro de 2017.

Durante a sua fala, Lula negou que tenha "relação íntima" com Cabral. "Senhor Bretas, meu compromisso é com a verdade", afirmou o ex-presidente ao magistrado, dizendo, então, não acreditar que qualquer brasileiro esteja mais em busca da verdade do que ele.

O ex-presidente Lula, foi condenado na Operação Lava-Jato a 12 anos e um mês de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no processo do triplex do Guarujá (SP). No final, Lula repetciu "está cansado de mentiras". "Quero a verdade", disse Lula. (Fonte: O Estado de Minas)

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Ontem, Eduardo Azeredo, ex-senador e ex-governador de Minas, condenado no mensalão tucano, foi preso para cumprir pena de 20 anos de prisão.

Ao contrário de outro preso - Lula, condenado em um dos vários processos a que responde - não vimos em Minas ninguém criticando a Justiça e, muito menos, acampamento para defender um criminoso. Houve, simplesmente o silêncio de gente civilizada que respeita decisões judiciais.

Em tempo: O mensalão tucano, de 1998, foi o precursor do mensalão petista, que veio à tona em 2005, durante o primeiro mandato de Lula.

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Sexta, 18 Maio 2018 22:29

ARTIGO: Parabéns, sim, Lula!

Parabéns, sim, Lula!


Artigo do Jornalista Renato Ferreira, publicado em 12 de dezembro de 1989, no Jornal de Piracicaba, cuja opinião, depois de 30 anos mostra-se atualíssima sobre a história política, econômica e social do Brasil e sobre as contradições de nossos políticos.

Considero a profissão de Jornalista uma das mais belas do mundo e uma das quais o profissional tem por obrigação atuar com responsabilidade e ética, mesmo que isso possa-lhe trazer prejuízos financeiros.

Ao longo de quase quarenta anos de profissão, esse tem sido o meu norte: exercer o jornalismo buscando sempre a verdade dos fatos. Sem dúvida, é uma linha tênue entre a imparcialidade e e parcialidade, mas, se o jornalista deprezar a verdade, com certeza, ele perde a principal arma da profissão: a credibilidade.

E o jornalismo é belo também porque ele dá ao profissional de comunicação, a meu ver, mais do que em qualquer outra profissão, uma liberdade ampla e irrestrita para o exercício de suas funções. Liberdade esta que o jornalista tem para noticiar, investigar, opinar, criticar e elogiar sempre dentro do princípio da honestidade e da ética.

Não tinha a intenção de publicar esse artigo sobre o Lula, de 1989, agora. Ele faz parte de uma coletânia de notícias, artigos, opiniões e crônicas que pretendo publicar brevemente em um livro, contando essa minha trajetória de quase quatro décadas observando e escrevendo sobre o nosso tão querido Brasil, porém, também de tantas contradições, sobretudo, políticas e sociais.

Mas, diante da atual conjuntura do país, com tantas investigações sobre corrupção e prisões de grandes lideranças políticas e empresariais, como o próprio Lula, resolvi pinçar e publicar esse artigo, comparando-o com a realidades de hoje.

Trata-se de uma defesa do Lula feita há 30 anos, quando ele era a esperança de um povo e arrastava multidões por onde passava. Ao contrário de hoje, quando seus aliados promovem atos em defesa dele, mas, agora, de um políico preso condenado pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

Inclusive, neste sábado, 19 de maio, a cúpula petista estará reunida na cidade de Osasco, região Oeste da Grande São Paulo, para participar de mais um ato em defesa do Lula https://bit.ly/2I9xQ4D . Trata-se de um evento programado pelo ex-prefeito da cidade, ex-presidente estadual do PT e atual tesoureiro do partido, Emídio de Souza. Dentre outras lideranças petistas, devem participar da reunião, em Osasco, o vereador paulistano e ex-senador, Eduardo Suplicy; o presidente estadual da legenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, Luiz Marinho, e a senadora e presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmman.

E é na cidade de Osasco, que a liberdade no exercício do jornalismo já me rendeu alguns adjetivos, justamente, por eu ser um jornalista que escrevo e falo sobre fatos do nosso dia-a-dia e do momento atual. Nessa cidade, onde exerço a maior parte de minhas atividades desde 1991, quando voltei de Piracicaba, já fui chamado de "rossista", "giglista", "peemedebista, petista e tucano. Rossista e giglista são referências, respectivamente, ao ex-prefeito e ex-deputado Federal, Franisco Rossi, e ao saudoso, também ex-prefeito, ex-deputado Federal e Estadual, Celso Giglio. Não dá para agradar a todos quando procura-se falar a verdade.


Peço, então, um pouco da sua atenção! Leia, a seguir, a íntegra do artigo que escrevi em dezembro de 1989, entre o primeiro e o segundo da eleição presidencial disputada por Lula e Collor. Dois extremos, mas, que ao longo dos anos ficou claro que eram extremos somente no discurso.


Parabéns, sim, Lula!

Após o resultado do 1º turno das eleições presidenciais, quando o povo escolheu democraticamente Collor e Lula para disputarem a Presidência da República, a imprensa brasileira tem sido recheada com diversos artigos contra o candidato Luiz Inácio Lula da Silva. Aparecem até mesmo artigos irônicos, tentando denegrir a imagem de um homem que se mostra apenas preocupado com a miséria de seu povo. São artigos que, no fundo, evidenciam mesmo o desespero de uma classe dominante, retrógrada e perversa, que não admite nem pensar em ver diminuídos os seus lucros criminosos, em prol da miserável população brasileira.

Sobre as publicações irônicas, gostaria de me referir à que foi publicada neste "Espaço Aberto", no último dia 26 de novembro, com o título: "Parabéns Lula". Nela, o autor brinca, ironiza, fala inverdades e, infelizmente, numa fase de abertura democrática, usa o espaço, não para esclarecer o povo sobre os seus direitos e deveres, mas sim, para tentar manchar o nome de um ex-torneiro mecânico, que lutou pelos seus companheiros, enquanto classe trabalhadora, lutou como Deputado Federal e, hoje, deseja chegar à Presidência apenas com um objetivo: tornar a sociedade brasileira mais justa. São artigos dessa natureza que pregam a luta de classe e não o discurso do Lula. A luta de classe já vem sendo travada há muito tempo. É uma luta surda, com milhões de crianças indefesas morrendo de fome de um lado e os poderosos "capitalistas" do outro.

E estou muito a vontada para defender o candidato Lula. Não sou petista. Votei em Brizola no 1º turno, e agora jamais poderia votar em Collor de Mello, que em lugar de caçador de marajás não passa de um fabricante de marajás, dos quais, muitos estão trabalhando em sua campanha. Por isso, parabéns, sim, Lula! Os brizolistas estão com você pela libertação do povo brasileiro.

Os falsos defensores do capitalismo e da livre iniciativa festejam hoje, a derrubada do "Muro de Berlin", mas, esquecem (?) dos vários muros existentes no Brasil. Os falsos democratas e falsos capitalistas esquecem do muro do analfabetismo, que eles mesmos construíram. Somos o país com o maior número de analfabetos do mundo, o que mostra o grau de desenvolvimento da Nação. Esquecem (?) também que a maioria absoluta do povo brasileiro não pode ultrapassar o muro da saúde, pois morre antes na fila da Previdência. Somo também o país dos desdentados, campeões de mortes antes do 1º ano de vida. E, são tantos muros que, certamente, o "Muro de Berlin" não teria significado aqui no Brasil.

Aqueles que, hoje, querem relacionar a Alemanha Oriental, Tchecoslováquia, , Polônia e outros países do Leste Europeu com o Brasil, esquecem de que estamos na América do Sul, numa cultura totalmente diferente. O povo daqueles países quer apenas conseguir a liberdade de ir e vir, o que é uma coisa sagrada e que estamos plenamente de acordo, mas, perguntamos: O brasileiro tem esta liberdade? Ou está preso atrás do muro da miséria?

O autor do artigo a que fiz referência, certamente, responderia que estamos numa sociedade livre e que todos têm liberdade de crescer. Mas, isto é verdade? A maioria do povo brasileiro é responsável e trabalha, e será que todos podem viajar no momento que desejarem? Ou podem se alimentar na hora que têm fome? Então, é o povo, o povo pobre que tem mais condições de responder a estas perguntas. Que bom seria se todos aqueles que trabalham dignamente neste país tivessem a liberdade de ir e vir. Por isso, parabéns, sim, Lula!

Parabéns, sim, Lula, porque o programa do PT é aquele que mais se aproxima do programa do PDT, o qual tem por objetivo, antes de qualquer coisa, dar educação para o povo. Sabemos que ao lado da alimentação e da saúde, a educação é primordial para um povo, pois, de posse do saber, o homem tem armas para lutar pelos seus direitos e, certamente, é isso que amedronta a classe dominante e anti-brizolista. Aqueles que, hoje, comparam o Brasil com o Leste Europeu, esquecem de dizer que o se o brasileiro tivesse a oportunidade de pular um muro ou fugir para outro país, com certeza, ele não conseguiria, porque iria morrer de fome no caminho. Por isso, parabéns, sim, Lula! Vamos ajudar este povo a pular tantos muros. (Renato Ferreira)

Parabéns sim Lula foto


Voltando à atualidade sobre Lula e o Brasil

Portanto, como você notou, nada mudou no Brasil de 1989 até hoje. Ou melhor, mudou sim, para pior, e também mudaram os rumos e ideologias de políticos como o Lula.

Depois de várias tentativas, em 2002, o ex-torneiro mecânico chegou ao poder e, em vez de procurar lutar contra a corrupção, como berrava nos palanques, se aliou aos corruptos criticados por ele, como o próprio Collor, José Sarney, Renan Calheiros e Paulo Maluf.

No campo da saúde e educação nada mudou nesses longos 30 anos. E na segurança pública piorou muito. Hoje, temos mais de 60 mil assassinatos por ano, número muito maior em relação aos homicídios de 1989.

Hoje, portanto, decepcionado, eu não falaria mais "Parabéns, sim, Lula". Talvez, com orgulho, diria: "Parabéns, Sérgio Moro!

 

Em tempo

Na época, recebi vários elogios pela publicação desse artigo, inclusive, do Reitor de uma Faculdade de Sorocaba, mas, também quase perdi o emprego de repórter no Jornal de Piracicaba, que era engajado na campanha de Fernando Collor de Mello. Quem salvou a mnha pele e o meu emprego no JP, foi o nosso querido colega, então, editor de Política do Jornal, Mário Evangelista, que atualmente trabalha no Litoral de São Paulo.

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Em abril o triplex foi invadido por membros do MTST e do Povo Sem Medo em protesto contra a prisão do Lula. Ontem, o imóvel foi arrematado por R$ 2,2 milhões
 
 
No dia 16 de abril deste ano, com o objetivo de defender o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e criticar o juiz Sérgio Moro, dezenas de pessoas dos Movimentos Povo sem Medo e do MTST (Movimento dos Trabalhadores sem Teto), criado por Guiherme Boulos, pré-candidato à Presidência da Repúbica pelo PSOL, invadiram o triplex do condominio Solaris no Guarujá. E pasmem! Os sem teto, pessoas simples usadas como massa de manobra pelos seus líderes, tentaram, inclusive, contestar as provas jurídicas que levaram Lula à prisão, afirmando que o triplex não tinha passado por nenhuma reforma e nem possuía elevador privativo. Mas, de nada adiantou o espetáculo dantesco promovido pelos defensores do ex-presidente. Nesta terça-feira, 15/05, o triplexzinho do Lula, totamente reformado pela empreiteira OAS, foi arrematado pela bagatela de R$ 2 mihões e 200 mil no primeiro dia do leilão autorizado pelo juiz Sérgio Moro.
 
Triplex do Lula 2
 
O novo dono do imóvel mais comentado do país nos últimos meses é o empresário Fernando Costa Gontijo, de 64 anos, de Brasília. Contijo tem três dias para depositar os R$ 2,2 milhões, valor mínimo do imóve estipulado no edital do leilão. Conforme determinou o juiz Moro, esse valor será encaminhado para a Petrobras para ressarcimento dos recursos retirados da empresa no escândalo apurado pela Lava Jato. Segundo Contijo, o seu desejo pelo triplex se justifica pela localização e pela história do imóve. O apartamento tem mais de 200 m² e uma vista privilegiada da orla do Guarujá. Para o empresáro, ele fez um bom negócio.
Fernando Gontijo atua no mercado imobiliário há mais de 30 anos e se diz apolítico. O empresário criou a empresa Guarujá Participações especificamente para comprar o triplex, que foi o pivô envolvendo Lula e a empreteira OAS. Segundo informações, Contijo teve passagem pela Via Engenharia, empresa investigada no chamado mensalão do Distrito Federal, escândalo de 2009 que envolveu o ex-governador do DF, José Roberto Arruda (então, no DEM).
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